Alimentação rica em nutrientes pode minimizar sequelas cognitivas causadas pela Covid-19

Em fevereiro deste ano, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), realizou um estudo com pacientes recuperados da Covid-19. De acordo com o levantamento, foi possível identificar sequelas cognitivas em 80% dos avaliados, como a perda de memória recorrente.

Renata Guirau, nutricionista do Oba Hortifruti, explica que a infecção viral pode afetar o sistema neurológico, trazendo a confusão mental e, consequentemente, a falha na memória. Apesar de não haver uma estratégia comprovada para auxiliar os problemas posteriores causados pelo coronavírus, a alimentação rica em nutrientes pode auxiliar o corpo na recuperação.

“O consumo adequado de nutrientes ajuda na recuperação de um modo geral. Isso porque a nutrição reduz o estresse oxidativo e, no que diz respeito à atividade cerebral, garante a saúde das células relacionadas à memória por mais tempo”, explica.

De acordo com a nutricionista, é importante buscar alimentos ricos em ômega-3, visto que essa gordura – presente principalmente nos peixes – ajuda na formação de uma camada importante na estrutura dos neurônios e, portanto, é indicada que o seu consumo seja frequente.

Os compostos com ação antioxidante também favorecem a saúde das células do sistema nervoso central. Para as pessoas que sofrem com a perda de memória, é interessante incluir legumes e verduras no dia a dia das refeições.

“Quando o assunto é o cuidado com o cérebro, frutas como o morango, uva roxa e melancia são uma excelente opção. Esses alimentos são fontes de antocianinas, resveratrol e licopeno, respectivamente. Todas elas trazem efeitos positivos para a nossa mente”, destaca Renata.

Além disso, a vitamina B12, presente em grande quantidade nas carnes e nos ovos, está muito associada à saúde cerebral. Por essa razão, é importante avaliar a necessidade de suplementação para vegetarianos e veganos.

Com base nas informações passadas pela nutricionista, é possível concluir que alguns alimentos podem ser benéficos para minimizar as probabilidades de perda de memória. Contudo, também é importante destacar que há vilões no que diz respeito aos cuidados com a mente. Um deles, muito presente no nosso dia a dia, é o açúcar. Portanto, Renata alerta: é necessário dosar a quantidade.

“Já é bem definido pela ciência que o consumo frequente de açúcar pode favorecer doenças neurológicas, como o Alzheimer. Isso porque, quando em excesso, há o aumento do estresse oxidativo no nosso organismo, que prejudica diversos sistemas e funcionalidades internas”, pontua.

 

Saudabilidade

O consumo adequado de nutrientes gera um sistema nervoso saudável, principalmente a longo prazo. Quando há a busca por alimentos ricos em vitaminas, o sistema imune é favorecido. Esse hábito, segundo Renata, pode reduzir inflamações causadas pela Covid-19.

O consumo de proteínas e vegetais, durante o processo da infecção viral e no momento de recuperação após a doença, também é extremamente indicado para manter a saudabilidade do corpo. Porém, é fundamental estar atento aos casos mais graves do coronavírus. “Quando é necessário fazer reabilitação pulmonar, precisamos adequar a quantidade de calorias ingeridas, assim como o total de proteínas, para auxiliar na recuperação da massa muscular perdida e, também, na melhora da função pulmonar”, informa.

Algumas outras estratégias, segundo a nutricionista, também são bem-vindas, já que a Covid-19 é uma doença que afeta diversos órgãos. Portanto, o consumo de nutrientes que ajudam na melhora da coagulação, na função renal e hepática que podem ficar prejudicadas, deve ser avaliado junto com profissionais da área.